Bares temáticos apostam em curadoria e ambientação para
atrair fãs e novos ouvintes
A casas de jazz têm ampliado a presença no Brasil ao
investir em experiências que vão além da música ao vivo. Com ambientação
temática, curadoria artística e programação diversificada, esses espaços buscam
atrair tanto fãs do gênero quanto novos públicos interessados em música
instrumental.
Inspiradas em clubes tradicionais dos Estados Unidos, as
casas brasileiras se adaptaram a cultura local
e construíram um modelo de espaço dedicado ao jazz, mas aberto a outros estilos
instrumentais.
Influência internacional e adaptação brasileira
O jazz, de origem afro-americana, surgiu entre o fim do
século XIX e início do século XX, consolidando-se como uma das principais
expressões da música instrumental. Referências internacionais, como o Blue
Note, em Nova York, influenciaram a criação de unidades no Brasil. O empresário
Daniel Stain, em parceria com Luiz Calainho, trouxe a marca ao país,
inaugurando a primeira casa no Rio de Janeiro em 2017, seguida por uma unidade
em São Paulo em 2019.
Com programação regular de shows, os espaços se tornaram
pontos de circulação de artistas nacionais e internacionais. “Os caras que são
desse mercado do jazz, nem sempre são os gigantes, eles também querem fazer
circuitos pela América do Sul. E aí o Blue Note acaba sendo a casa de escolha,
porque eles confiam que a casa vai ser uma casa com qualidade”, afirma.
Além do jazz, a programação também passou a incorporar
estilos brasileiros. “A gente também tem shows de música brasileira, de
Chorinho, de Bossa Nova. A gente foi se adaptando à situação do Brasil”, conta
ele.
Espaços culturais e integração artística
Em Belo Horizonte (MG), o Café com Letras é um exemplo de
integração entre música e outras manifestações culturais.
Com três décadas de atuação, o espaço reúne shows, lançamentos de livros e
exposições.
O sócio fundador Bruno Golgher relembra o início do projeto,
que contou com apoio fundamental para se consolidar. “No dia seguinte a um dos
shows passou uma pessoa, que é o senhor Ajax, indo para fisioterapia dele...
Ele era uma pessoa que amava música, e infelizmente já faleceu... E ele chegou
lá no café e falou: quando tem mais? A gente falou: não vai ter, porque a gente
não tem dinheiro. E aí ele começou a pagar os shows, ele foi um mecenas. Aí o
Chico Amaral (artista) começou a tocar toda quarta-feira, em todas as semanas”,
conta Bruno.




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