Governo do Distrito Federal leva iluminação pública para Assentamento Dorothy Stang, em Sobradinho 1
Comunidade, que nasceu da
luta por moradia e recebeu água encanada recentemente, agora ganha 186 pontos
de luz. Ordem de serviço foi assinada pela governadora nesta sexta-feira (22)
As noites escuras nas
margens da DF-440, no Setor Habitacional Nova Colina, em Sobradinho, estão com
os dias contados. A governadora Celina Leão assinou, nesta sexta-feira (22), a
ordem de serviço que autoriza o início da implantação da rede de iluminação
pública no Assentamento Dorothy Stang, uma área que até então não contava com
esse serviço básico. A execução do projeto ficará a cargo da CEB IPes e conta
com um investimento de R$ 134.275,22. A nova rede aérea vai cobrir cerca de 5,9
quilômetros de vias, onde serão instalados 186 novos pontos de luz.
“Estamos falando de 4 mil
pessoas que são beneficiadas diretamente por essa obra, que já começa hoje.
Todos os postes serão em LED, uma tecnologia de durabilidade de mais de 10 anos
de garantia. Para as mães é muito, uma filha que chega dos estudos à noite em
casa, que anda sozinha sem luz, eu sei o que é isso, porque eu sou mulher. Às
vezes, o homem se sente mais seguro, mas para nós, que somos mulheres, andar
sozinha, à noite, sem iluminação, é duplamente desafiador”, destacou a
governadora.
Todas as luminárias
utilizarão a tecnologia LED, garantindo mais eficiência energética, economia
para os cofres públicos e, principalmente, mais nitidez e segurança para quem
transita pelas ruas do setor. “É uma alegria muito grande fazer algo pelas pessoas
que mais precisam. Fizemos um planejamento, tínhamos muitas reclamações sobre a
iluminação pública. Além de resolver o problema, nós mapeamos as áreas mais
necessitadas do Distrito Federal para chegar com luz. É chegar, ver o problema
e resolver”, acrescentou Celina Leão.
A governadora Celina Leão assinou a ordem de serviço que autoriza o
início da implantação da rede de iluminação pública no Assentamento Dorothy
Stang | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília
O presidente da Companhia
Energética de Brasília (CEB), Elie Issa El Chidiac, comentou a implantação da
iluminação pública ao redor de todo o complexo da Dorothy Stang. “Certamente,
isso vai trazer conforto, segurança e qualidade de vida para a população aqui.
É realmente um projeto muito grande. A tecnologia LED vai trazer mais
luminosidade e segurança para a população. A governadora realmente se preocupa
com a população mais carente e isso é uma sensibilidade humana”, ressaltou.
“É uma das ações mais
importantes do GDF, porque não tinha iluminação aqui, eram gambiarras. Então,
imagina para a pessoa que trabalha e chega no breu da noite. Hoje é um dia
muito feliz, porque a comunidade sempre solicitava. São cerca de 4 mil pessoas que
moram aqui no Dorothy felizes com a chegada da iluminação”, comentou o
administrador regional de Sobradinho, Paulo Izidoro.
Cidadania
O avanço na infraestrutura
marca mais um capítulo de superação para a comunidade. Com uma história recente
e profundamente enraizada na luta por moradia popular no Distrito Federal, o
Assentamento Dorothy Stang formou-se a partir de ocupações de famílias de baixa
renda que buscavam o direito à habitação.
O próprio nome do setor é um símbolo dessa trajetória. Trata-se de uma homenagem à missionária católica Dorothy Stang, assassinada em 2005 no Pará, que dedicou sua vida à defesa dos trabalhadores rurais e de populações vulneráveis. A identidade de resistência se reflete na força dos moradores, que durante muito tempo conviveram com a falta de serviços básicos.
O cenário de precariedade,
no entanto, vem sendo transformado em consolidação urbana. Antes da chegada da
iluminação, o GDF já tinha garantido outra vitória histórica para a comunidade:
a água encanada. As entregas da nova rede de abastecimento começaram em 2024,
fruto de um investimento superior a R$ 11 milhões, como parte do processo de
regularização fundiária da região.
Nesta sexta-feira (22), além
da iluminação, a governadora ainda anunciou outras conquistas para o
assentamento, cujo processo de regularização começou no fim de 2020. “Não vai
chegar só a energia. Nós vamos trazer drenagem, asfalto e tudo aquilo que o Dorothy
precisa, porque a gente sabe que vocês precisam. Nós temos essa sensibilidade
de cuidar das pessoas. A regularização também está andando, porque nós demos
essa determinação. E eu tenho tudo isso mapeado”, apontou Celina Leão.
Comunidade, que nasceu da luta por moradia e recebeu água encanada recentemente, agora ganha 186 pontos de luz. Ordem de serviço foi assinada pela governadora nesta sexta-feira (22). Fotos: Renato Alves/ Agência Brasília
Com água nas torneiras e,
agora, luz nas ruas, o Dorothy Stang deixa para trás o estigma de área informal
e avança a passos largos para se tornar um território com infraestrutura
completa, dignidade e qualidade de vida para as famílias de Sobradinho.
O presidente da Companhia Energética de Brasília
(CEB), Elie Issa El Chidiac, comentou a implantação da iluminação pública ao
redor de todo o complexo da Dorothy Stang
Nas palavras da líder da
Associação de Moradores, Lutadores e Apoiadores do Residencial Dorothy Stang,
Rita de Cássia, a chegada da iluminação significa “dignidade, humanidade e,
principalmente, respeito”. Moradora da região há cerca de 10 anos, ela ressalta
as dificuldades enfrentadas e a alegria pelo novo cenário. “Imagina você ter
seus filhos descendo da parada de ônibus lá embaixo e subir tudo isso aqui a pé
à noite, com buracos. Nossa comunidade tem muitos idosos e pessoas com
dificuldade de locomoção. Agora, a gente vai se sentir muito mais seguro e
digno. Podemos dizer que temos políticas públicas no Dorothy Stang. Assim como
chegou a água, agora está chegando a luz. É uma conquista da comunidade”,
comemorou.
Moradora do Dorothy Stang
também há dez anos, a dona de casa Odete Freitas de Oliveira lembrou que a ação
do GDF representa uma conquista histórica para a comunidade e mais segurança
para as famílias. “Eram muitas dificuldades. Minha filha faz atletismo e descia
a rua no escuro. Agora, vai ter iluminação e eu vou ficar mais despreocupada.
Para nós, que lutamos tanto aqui dentro, hoje é um dia de alegria e vitória”,
destacou.
“São mais de dez anos
esperando por isso. A maior conquista é a dignidade, porque a gente trabalha,
paga imposto e quer ter o direito de chegar em casa com segurança”, reforçou a
terapeuta ocupacional Silvia Secundo, que vive no bairro desde o início da ocupação.
Fonte: Ana Isabel Mansur e Jak Spies, da Agência Brasília, Edição: ÍgorSilveira














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