Projeto Hub do Vidro busca ampliar renda de catadores com reciclagem




Piloto lançado em Belo Horizonte/MG conecta cooperativas, bares, restaurantes e indústrias para fortalecer a cadeia do vidro 


Ampliar a renda dos catadores e fortalecer a reciclagem de vidro são os principais objetivos do Hub do Vidro, projeto-piloto lançado na terça-feira (11), em Belo Horizonte/MG. A iniciativa, que reúne o Sebrae, o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e a Associação Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (ANCAT), pretende aproximar cooperativas, empresas e indústrias que utilizam o material reciclado. 


Na primeira etapa, o projeto beneficiará 33 cooperativas de 31 municípios da região metropolitana de Belo Horizonte. A proposta é organizar as etapas de recebimento, triagem e comercialização das embalagens de vidro, além de aumentar o valor agregado do material destinado à indústria. 


O projeto é resultado de um contrato entre o Sebrae e a ANCAT, por meio do projeto Pró-Catadores. Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, destaca que a iniciativa busca transformar conceitos relacionados à sustentabilidade em ações que também contribuam para a geração de renda. “O papel do Sebrae é transformar conceitos como logística reversa e responsabilidade compartilhada em realidade para os pequenos negócios. O Hub do Vidro representa esse esforço ao criar conexões que fortalecem a cadeia da reciclagem, promovem a sustentabilidade e geram novas oportunidades para milhares de trabalhadores em todo o país”. 


Centro vai organizar triagem e comercialização 


O primeiro Hub do Vidro está instalado na sede da Central de Cooperativas de Reciclagem (Cataunidos). O espaço funcionará como um centro de recebimento de embalagens, que serão separadas, processadas e valorizadas antes de serem encaminhadas para indústrias que utilizam o vidro como matéria-prima. 


Segundo Afonso Maria Rocha, superintendente do Sebrae/MG, a estrutura pretende melhorar a organização da cadeia e aproximar as cooperativas do mercado consumidor do material reciclado. “O lançamento do Hub de Vidro é uma resposta concreta aos desafios enfrentados pelos catadores e pelas cooperativas. A proposta é organizar melhor essa cadeia, tornar mais eficiente o recebimento, a triagem e a comercialização do vidro e fortalecer a relação dessas organizações com o mercado e a indústria”. 


A iniciativa também conta com a participação da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais – Abrasel em MG, que deverá mobilizar estabelecimentos da região para fornecer as embalagens de vidro destinadas à reciclagem no espaço. “Os bares e restaurantes querem fazer parte dessa transformação. Ao estruturar a destinação correta das embalagens de vidro e aproximar o setor dos catadores e cooperativas, conseguimos gerar ganhos ambientais, sociais e econômicos para toda a cadeia”, pontua o diretor da Abrasel, Paulo Nonaka. 


A participação do setor de alimentação fora do lar amplia a conexão entre os estabelecimentos que geram os resíduos e as cooperativas responsáveis pela coleta e processamento do material. A expectativa é que a articulação contribua para aumentar o volume de vidro recuperado e destinado novamente à cadeia produtiva.


Equipamentos podem aumentar valor do material 


Para Luiz Henrique da Silva, presidente do MNCR e integrante da coordenação da ANCAT, a estrutura criada pelo Hub pode estimular a coleta de vidro, uma atividade que, segundo ele, enfrenta dificuldades por apresentar baixo valor comercial e exigir equipamentos específicos. 


"A gente não tinha nenhum estímulo para coletar, porque é uma cadeia de pouco valor e não tinha equipamento. Agora, além dos equipamentos comprados pelo projeto, temos outros que foram consertados. Vamos organizar toda a gestão e o fluxo financeiro, com a parceria do Sebrae, para garantir que a gente tenha uma rentabilidade maior nesse processo", afirma Luiz. 


A possibilidade de processar o material antes da comercialização também é apontada como uma forma de aumentar seu valor. Cleide Maria Santos Vieira, mobilizadora social da Rede Cataunidos, cooperativa de reciclagem e rede de economia solidária em Minas Gerais, afirma que uma parcela significativa do vidro descartado ainda não retorna à cadeia produtiva. 


Segundo ela, mesmo quando há coleta seletiva, parte do material acaba encaminhada para aterros. Com o processamento realizado no próprio Hub, a expectativa é reduzir esse descarte e melhorar a remuneração das cooperativas. “A maioria das cooperativas recebe, separa, põe na caçamba e vende. Agora, com esse processo dele ser triturado aqui, poderemos aumentar a renda, pois já sairá daqui preparado para o mercado. Isso irá agregar mais valor e diminuir a quantidade de resíduos nos aterros”, comentou. 


A estrutura também deverá contribuir para organizar a gestão e o fluxo financeiro das cooperativas participantes. A intenção é que o fortalecimento dessa etapa permita maior integração entre os catadores, o mercado e as indústrias que demandam o vidro reciclado. 


Projeto busca expansão para outros estados 


O Hub do Vidro integra o Pró-Catadores, projeto do Sebrae que atua em 23 estados brasileiros. A iniciativa busca fortalecer a atuação de catadores e catadoras de materiais recicláveis por meio da ampliação do acesso a políticas públicas e do aperfeiçoamento profissional. 


O Sebrae também participa como entidade convidada do Comitê Interministerial para Inclusão Socioeconômica de Catadoras e Catadores (CIISC). 


Em 2025, o Pró-Catadores alcançou 421 organizações de catadores, beneficiou 5.931 trabalhadores e chegou a 244 municípios brasileiros. No mesmo período, as organizações participantes registraram crescimento médio de 21,7% no faturamento e evolução de 30,1% nos indicadores de maturidade de gestão. O volume de investimentos mobilizados pelo projeto já soma R$ 29 milhões. 


“O projeto Pró-Catadores tem um olhar que concilia negócio, renda, sustentabilidade e educação ambiental”, destacou Rodrigo Soares. 


A experiência iniciada em Belo Horizonte deverá servir como piloto para a expansão do Hub do Vidro para outras unidades da Federação. A proposta é estruturar uma cadeia capaz de conectar a geração do resíduo, a atuação dos catadores, o processamento do material e a demanda da indústria.

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