É o trabalho invisível que vai impulsionar os negócios
*Por Miguel Senegalha de Souza, CEO da Vaapty

Nem sempre o primeiro ano à frente de um negócio rende um post bonito. Quem está de fora não consegue ver ou entender os impactos que geram mudanças no RH, no jurídico ou no setor financeiro. Nem sempre tem inauguração, foto de fachada nova ou número para comemorar em rede social. Mas tem muita planilha, contrato, política interna e reunião para alinhar processos. É um trabalho que não gera muito reconhecimento, e que talvez por isso muita gente adie.
Pode não parecer à primeira vista, mas crescer rápido demais é uma questão. É o tipo de desafio que todo empresário diz querer ter, mas por traz desse “boom” na empresa, esconde uma armadilha perigosa. A empresa avança em vendas, em unidades e em presença de mercado, enquanto as áreas que sustentam esse crescimento ainda operam sob a lógica de uma operação pequena.
Ter uma estrutura fraca tem uma característica traiçoeira: ela não dá sinal enquanto o cenário é favorável. Com as vendas crescendo e a rede se expandindo, um contrato mal redigido não gera conflito. Uma folha sem controle não vira passivo. Um financeiro desorganizado não trava o caixa. Tudo parece funcionar, mas esses riscos não aparecem um de cada vez. Eles chegam juntos, ou perto disso, e costumam surgir justamente no momento em que a empresa está mais pressionada.
Uma desaceleração, uma disputa com um parceiro, uma fiscalização ou uma virada de ciclo, afeta principalmente o empresário que não se preparou e descobre, na pior hora, que a base não comportava o peso que foi colocado em cima dela. Em um modelo de franquias, isso ganha uma dimensão ainda maior. Não estamos falando de uma unidade só, mas sim de uma rede de empreendedores que confiaram em um modelo, investiram o seu dinheiro e dependem de uma franqueadora sólida para que o negócio deles também seja sólido. A estrutura interna da franqueadora não é um assunto de bastidor. Ela é parte do produto que entregamos.
Aprenda a se dedicar aquilo que ninguém cobra e nem elogia, como revisar contratos, dar previsibilidade e controle à gestão de pessoas, organizar as finanças de forma que a empresa possa ser lida com clareza, e não apenas administrada no improviso. Não é glamouroso, e não vou fingir que é, mas cada uma delas reduz uma incerteza, que a longo prazo, custa caro.
Existe uma ideia muito difundida no empreendedorismo de que velocidade é tudo, e que resolver a casa fica para depois, mas crescer com a estrutura errada significa adiar o problema com juros. Cada mês que uma falha estrutural fica sem correção, ela fica mais cara de resolver. O contrato que poderia ter sido ajustado com uma conversa, vira uma disputa. O controle que poderia ter sido implantado com a equipe pequena precisa ser refeito com a equipe grande. A desorganização de hoje é a fatura de amanhã, com acréscimo.
O trabalho invisível não é o oposto do crescimento, mas sim a condição para que ele continue. Quem quer chegar longe precisa parar de olhar apenas para o que é visto de fora e cuidar do que sustenta toda essa estrutura por dentro.
**Mestre em Ciência da Computação, com experiência em tecnologia, liderança e negócios, Miguel Senegalha de Souza é sócio majoritário e CEO da Vaapty, rede de franquias de intermediação de venda de veículos, tornando a negociação de carros mais segura, sem burocracia em 40 minutos.



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